Contos da cidade cinza: Tanta estrela por aí

Até a hora que eu me injuriar e resolver pegar carona num disco voador, deixando só um bilhete, escrito à mão, dependurado na janela do quarto:

A humanidade é tão podre

A sociedade conserva valores tão egoístas

Que querer ajudar o outro se torna algo pessoal“.

 

Felipe Cruz

Contos da cidade cinza: Esquizofrenia da cidade grande

– Vamos nesse aqui mesmo.

– Ali pro fundo?

– É passa aí, passa aí. Pode ser.

– Daqui não dá mais.

Será que ele está se masturbando? Não pode ser.

Como ela, como ela parece? Acho que esta constrangida. Encostada na janela, recolhida com um olhar de olheiras lilases, mas olhos atentos, fixos num ponto no infinito.

– Mas então você foi no festival?

– Fui sim.

– Que você achou?

– Muito louco…

Espera, é nele que tenho que reparar. Desde que entrei me olhou fixamente, um olhar frio, sem alma, nervoso, até que por ali parei… O boné, esse boné, um ângulo bem escolhido, tem até a marca vermelha na testa de sangue prensado, que atesta o boné não sair do lugar, esconde seu olhar. Daí eu só consigo imaginar…

– Eu fui ver los madrugas, depois fiquei vendo o palco de arte circense. Aí dei um tempo de descanso pra mim até o show do Quase Kinem que foi do caralho. Em qual você colou?

– Acabei indo pro Freezer.

Ela está respirando mais rápido?

Sua mão, de unhas longas vermelhas, arranhando seu pescoço como se sentisse frio… Mas está frio.

Mas pode ser agonia, de ser observada… Ow caralho! É esse babaca que tenho que analisar.

– Mano, os shows foram bons, apesar de nos Bombeiros do Sol ter tido falhas no som.

– Acho que nem reparei.

– Pode crer, Os Casulos, pra variar, atrasaram. Mas disseram que dessa vez foi culpa do som.

– Uhumm…

Porque essa mão forte apoiando a mochila sobre as pernas e embaixo da mochila sua mão direita se encontra? Será frio? O braço dele está se mexendo? Só eu que vejo isso?

Falo alguma coisa? Olho pra você, mas você não me olha, me diz se precisa que eu faça alguma coisa!? Meu amigo não se ligou?

– O festival foi bem organizado, limpo, com a ideia de carro compartilhado pra ficar mais barato.

– Mas não podia entrar nem com água, achei um absurdo.

– É! Lá dentro os preços deveriam mesmo ser mais acessíveis.

– Nem comi! Mas apareceram uns vinhos.

Calma, estou ficando louco, tenho que parar com a bebida, ou beber menos…

Mas ela parece desconfortável, seus lábios finos e bem desenhados parecem se retorcer de repúdio. Esse braço mexe ou não mexe delicadamente? Tem um cuidado… Será que eu não o intimo mais?

Chega! Vou perguntar se ele esta se masturbando. Continuar lendo

Histórias de buteco

            Vejo muitos fiéis dizer que viram coisas incríveis acontecer na igreja. Eu, entretanto, nunca vi nada de especial na época em que frequentava. Foi no bar que tive contato com uma experiência sobrenatural.

            Lá estava eu, desolado pelos acontecimentos que desestruturaram minha família. Saí sem rumo e sem direção, conversando com o que chamamos de Deus, ou sozinho se bem preferirem. Quando me dei conta, estava num conhecido boteco, ali sentei, na esperança de encontrar algum chegado e distrair a minha mente.

            Comecei com apenas uma cerveja, pra parecer mais amistoso, mas minha cara era de pura depressão, e as pessoas não se sentiam a vontade de estar por perto. Não estava no clima de puxar assunto, desejava que alguém até a mim viesse não para eu tratar dos meus problemas, poderia ser até dos problemas dela, mas ninguém ali sentava.

            Absorto em pensamentos decidi falar novamente com Deus (ou sozinho). E pedi que aparecesse alguém que falasse comigo só por falar. Nesse instante já estava tomando um bom e velho conhaque. Não havia mais porque esboçar simpatia, pensei.

            Quando um sujeito Continuar lendo

Um conto sobre amizade!

CAM00950 - Copia

 

Prazer

Conheci o Espuleta na entrada do prédio… Aliás, A espuleta! Mais adiante vai entender. Se ela me visse falando assim de novo… Pois bem.

Ele, digo, Ela anunciou sua presença com um miado agudo e saltou na minha frente fazendo uma saudação e emitindo outro miado (era seu nome), onde começamos a conversar…

Toquei o interfone, dei bom dia ao porteiro e pedi que abrisse o portão, enquanto Espuleta resmungava que eu não ia logo…

Disse que se quisesse continuar aquela conversa teria que ser no meu ritmo.

O porteiro respondeu: “O quê?”.

– Abre pra mim por favor, o codificador não funciona.

Nesse ponto Espuleta reclamava mais ainda enquanto resmungava um tanto pra si, outro pra quem estava perto escutar, “como eh que irei abrir o portão? Se vira humano, só vem logo”.

– Espera to falando com o porteiro!

– Oi!?

– Não, nada! To brincando com o gato.

– Eu bem que ouvi um miado de gato. Soou o interfone.

– Sou uma gata.

– Ela eh uma Gata.

– Quê!?

– Ela pediu pra dizer.

Por fim os portões se abriram com um porteiro sorrindo me desejando bom dia enquanto balançava a cabeça de um lado pro outro. Não consegui interpretar essa ação dele. Continuar lendo

Pensares

Dois amigos caminham juntos de volta para casa. Acendem um fumo que passam de um a outro e se vão a conversar no caminho, a pé, de volta pra casa…

– Existe alguma situação em que você observa e pensa: ‘Nesse sentido sou criança’? – Diz o de touca preta com um ar pensativo.

– Como assim? – Responde o de mochila sem entender.

– Ah, sei lá! De pensar que em alguns pontos ainda é criança. – Tenta argumentar com cara de quem não sabe se fazer entender…

– Mas por não saber fazer alguma coisa?  – Arrisca novamente com cara de quem já estava entendendo…

– Aí vai do que você considera ser criança. – O outro com sorriso no rosto e ar de mistério, como quem gerou uma dúvida…

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Brasileiros e Brasileiras! – cap.6

Brasileiros e Brasileiras!

POR LUÍS RENÉ DE MELO

Capítulo 6

Caveira

Os policiais se aglomeravam no canto da sala e se depararam com uma espécie de altar que estava coberto por um véu preto.

Era uma imagem religiosa no mínimo estranha. Havia uma caveira preta de cerca de 25 centímetros de altura sentada em um trono igualmente preto e presa a grilhões e correntes vermelhas. Ela estava cercada por velas pretas parcialmente consumidas. Havia ainda um copo cheio de pinga e um cinzeiro com um cigarro totalmente em cinzas como se tivessem sido oferecidos à entidade representada pela imagem. Continuar lendo

Brasileiros e Brasileiras! – cap.5

Brasileiros e Brasileiras!

Por Luís René de Melo

Capítulo 5

Um Plano

Às nove horas da noite, a fábrica funcionava a todo vapor e o rapaz entrou na área da ferramentaria procurando por alguém que não estava lá. Quando se virou, deu de cara com um negro alto e magro que olhou furtivamente para os dois lados e disse:

− E aí, Ricardo.

O rapaz tomou fôlego tentado disfarçar o susto e respondeu:

− E aí, Chico. Continuar lendo

Brasileiros e Brasileiras! – cap.4

Brasileiros e Brasileiras!

Por Luís René de Melo

Capítulo 4

Favela

Os policiais Almeida e Teles subiram o morro de uma favela, guiaram a viatura o quanto foi possível e, em determinado ponto, encontraram outras cinco viaturas.

Foram obrigados a estacionar ali e continuar o trajeto a pé, pois não era possível transitar com os veículos pelas estreitas vielas até o ponto do morro onde ocorrera o suposto suicídio.

Almeida tinha a sensação de que eram vigiados e sentia um pouco de medo. Os outros onze policiais, já acostumados, caminhavam naturalmente pouco concentrados com a operação. Continuar lendo

Brasileiros e Brasileiras! – cap.3

Brasileiros e Brasileiras!

Por Luís René de Melo

Capítulo 3

Metalmax

O rapaz caminhava pensativamente em direção à fábrica onde trabalhava. Ainda refletia sobre as palavras do pastor que ecoavam em sua mente: “Adore a ele que mora no céu e cuida de você!”.

Quando chegou aos portões da firma, ficou tenso, hesitou um instante, mas entrou como se se entregasse à danação eterna.

No relógio de ponto, bateu seu cartão e conferiu as informações: 20h42min – 14/12/1989. Isso já era um hábito comum. O patrão gostava de errar para economizar na folha de pagamento. Continuar lendo

Brasileiros e Brasileiras! – cap.2

Brasileiros e Brasileiras!

Por Luís René de Melo

Capítulo 2

Polícia

A viatura da polícia militar seguiu preguiçosa fazendo seu trabalho de ronda na região do Jardim Ângela, zona Sul de São Paulo.

Dirigia o carro o soldado Jorge Almeida, rapaz de 22 anos que entrara para a corporação há um ano e meio, muito mais por falta de opções do que por vocação. Situação comum no presente governo Sarney*. Continuar lendo

Brasileiros e Brasileiras! – cap.1

Brasileiros e Brasileiras!

Por Luís René de Melo

Capítulo 1
Céu e Deus

O anoitecer visto do pé do morro deitava uma vermelhidão fluida e hostil.

No cruzamento, alguns carros esperavam sua vez de seguir no vermelho enfadonho do farol, outros seguiam apressadamente na outra direção, enquanto uma viatura da polícia ia devagar.

O burburinho constante seguia lento e um rapaz observava curioso o culto do templo evangélico na esquina apesar do forte calor que desencorajava qualquer passeio, menos para quem tem que trabalhar.

– Levantem as mãos para o céu comigo – ordenou o pastor – Continuar lendo

Folhetim Peleja!

Fala, galera!

A equipe do Peleja Cultural vem por meio desta humildemente anunciar uma grande novidade!

Um projeto grande no tamanho, longevo na intenção e fruto de muito trabalho.

É o “Folhetim Peleja!”

Este novo projeto tem por objetivo apresentar aos nossos amigos internautas uma história de ficção, um romance.

Aliás, primeiro romance de um tímido autor paulistano desconhecido, mas muito entusiasmado: Luís René de Melo.

O romance se intitula “Brasileiros e Brasileiras!”

“Brasileiros e Brasileiras!” é um romance policial que narra fatos ocorridos em dezembro de 1989 durante a transição do governo Sarney para o governo Collor.

O livro conta a história de um malfadado assalto a uma fábrica decadente na zona sul de São Paulo cujo dono, viciado em cocaína, vem a falecer. Paralelamente a isso um curioso caso de suicídio em uma favela do Jardim Ângela chama a atenção de dois policiais e amigos, um PM e um civil um tanto atrapalhados e muito pouco conceituados no ambiente de trabalho.

O entrecruzamento desses fatos resultará em um surpreendente final que trará uma leitura muito verossímil do que foi o Brasil dos anos 80.

Luís René de Melo é formado em física e filosofia.

 Atua como jornalista, tradutor, ensaísta e, atualmente,

é professor universitário de Filosofia convidado nos EUA.

Leia o capítulo 1 – Clique aqui!

A FÍSICA DA MÚSICA

Por Carlos Eduardo Hypólito

Como é possível se produzir sons com pedaços de madeira? Ou então com cordas? Por que e como conseguimos distinguir um som agradável de um desagradável?

Quem nunca se maravilhou ao ouvir uma sinfonia de Beethoven, ou então o Réquiem de Mozart, e por que não um belo clássico do rock? Na modesta opinião deste que vos escreve, os melhores então são os que conseguem combinar a música erudita com o bom e velho rock’n roll!


Mas, como é de minha natureza tal tipo de análise, visto que sou professor de Física, podemos nos maravilhar também com todo o processo de formação dos sons, a física da música. Continuar lendo

Fomentando sem querer – A 1ª vez não dá pra esquecer!

Essa história é dedicada aos “novos” adolescentes, criados a leite com pêra! Que possuem acesso fácil ao redtube, xvideos, pornotube… Cuja adrenalina mais forte foi entrar na internet de madrugada sem que os pais soubessem! Ou apertar “alt+tab” para mudar a página quando alguém entrou no quarto sem bater…
Que talvez não tenha sentido a sensação de dizer “piu”, bem baixinho, logo após um de seus pais falar: “Nem mais um piu!”.

Década de 90…

Lá estava Felizpeto (como carinhosamente a mãe o chamava) aflorando sua sexualidade, obtendo desejos estranhos, por quem, outrora, era tal como rival: MENINAS! Para ser mais específico, mulheres mais velhas, cujos seios já eram crescidos.
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A moda da intelectualidade. Ou para os pseudo-intelectuais.

A moda da intelectualidade. Ou para os pseudo-intelectuais.

Leio e escuto comentários por aí de alguns que regurgitam seus discursos intelectualóides de esquerda, outros seus pensamentos, chamados de reacionários, de direita, e por muitas vezes, um terceiro que mistura os dois. Ora discursa um fascismo sem escrúpulos, ora narra injustiça racial. Uma espécie de “Adolf Castro”, ou “Hugo Thatcher”, ou “Karl de Carvalho”…
Gente que opina sobre o Brasil e o mundo, o ser brasileiro, o ter direitos, as manifestações, o papel da religião, a política e outras formas de relações sociais.
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Raul Rock Seixas Brega

Raul Rock Seixas Brega

Crítica do livro

Capa do livro

Capa do livro

Uma cusparada com cultura na cara dos pseudo-intelectuais e daqueles que são, erroneamente, taxados de construtores da música popular brasileira – MPB. Um cuspe que atinge a estrutura. Esse é o livro: Raul Rock Seixas Brega – de Isaac Soares de Souza. Hoje ídolo e amigo.

Refutando a idéia que se tem do cenário da linha evolutiva popular brasileira e enaltecer quem, de fato, merece ser enaltecido.
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O Tapão

Uma História sobre Futebol

Certa feita, com alguma orientação de adultos (sem muito juízo), fizemos um fantástico gol com enormes caibros de madeira. Era meio torto… mas era perfeito.

“Professor, futebol é arte?” Um aluno me questionou e eu prontamente respondi que sim! Sem dúvida!

Se você duvida, das duas uma: ou não domina o assunto, ou era sempre o último a ser escolhido nas aulas de educação física e ficou traumatizado.
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A Relatividade Restrita de Einstein

Paradoxo dos Gêmeos

Por Carlos Eduardo Hypólito

Carlos, é verdade o que falam por aí que se eu pegar dois gêmeos, colocar um deles em uma nave espacial viajando pelo universo e deixar o outro na Terra, quando o que foi viajar voltar, ele terá envelhecido menos do que seu irmão?

Em mais uma noite tediosa após o final do semestre letivo na Universidade, estava eu à toa conectado a redes sociais e comunicadores instantâneos, fui surpreendido com uma pergunta de um grande amigo meu de longos anos sobre uma parte da Teoria da Relatividade Restrita (T.R.R.) do grande Albert Einstein, (sim, aquele barbudo feio de língua pra fora), o paradoxo dos gêmeos. Então a pergunta me foi feita da seguinte forma: Continuar lendo

Analisando letras: Raul Seixas – Movido a Álcool

Analisando letras:
Raul Seixas – Movido a Álcool

Raul retrata nessa letra a segunda crise do petróleo que abalou o mundo e a medida de se buscar novas fontes de energia para substituir o petróleo.
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Adeus, Ano Novo! Ou O Maldito sinal do celular.

A ideia!

Há cinco anos juntos. Namorado e namorada. Ele com a intenção de dar um passo além em plena virada de ano.

Esquematizou tudo. Fingiu ter armado uma reunião com os amigos mais íntimos, estes, que já sabiam da farsa, ajudaram no plano.

As amigas deixaram a comida pronta, bastaria esquentar e servir para um jantar romântico. O balde de gelo para o vinho e a champanha fora estrategicamente colocado ao lado da mesa rodeado por orquídeas.

Os amigos prepararam um ambiente, que com apenas um clique do controle remoto, enquanto o som ligasse com as músicas prediletas da garota, escolhidas a dedo pelo jovem apaixonado, a luz apagaria devagar de forma excitante, então, com doce elegância ele, acenderia as velas.

O quarto foi preparado pelo próprio garoto. Continuar lendo

Só mais uma história de Natal! Ou A espera pela morte de Papai de Noel!

Deveria ser só mais um conto de natal. Dessas histórias infantis em que acontece algo engraçado e as crianças crescem saudáveis e com boas lembranças.
Mas tem um lado do muro em que os pais repetem, renovam e inovam as tradições de acordo com suas condições.

Era semana de Natal, a casa estava toda enfeitada. Luzes piscando, guirlandas feitas à mão, bonecos de neve e mais peças de natal adornavam o local.
O garoto de 4 anos pouco sabia da vida, mas adorava o natal. Sua cidade, bem mais que sua casa que tentava em vão acompanhar, encantava e reluzia alegria e felicidade com os enfeites natalinos por todo lado.
Aquela ideia de um velhinho trazendo os presentes em segundos na madrugada de natal extasiava a mente daquela criança.
– Papai! Papai!
– Diga meu pequenino.
– Vamos ao Shopping pra eu ter mais opções de presentes?
– Mas logo essa semana filhote?
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Só louco pra ser professor II

Quem faz o que gosta não trabalha nunca.

Desde garoto nunca me destaquei nos esportes e nas variadas brincadeiras que te possibilitam ser uma criança bacana e reconhecida na galera.
Filho de uma professora sem tempo, sempre convivi no meio dos livros, apostilas, planejamentos, listas de presenças, provas, trabalhos escolares, e qualquer outro tipo de papelada que se encontra no âmbito escolar.
A primeira grande professora que tive foi a dona Janaina Cruz, vulgo minha mãe, que até minha 4ª série (hoje 5ºano) mostrou e fez com que aprender fosse algo mágico e satisfatório.
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SÓ LOUCO PRA SER PROFESOR…

Dona Carminha, a senhora minha mãe, com uma calma que só o desespero traz, disse pausadamente: “Você é louco!?”

Certa feita… ao chegar do cursinho pré-vestibular em que eu estudava, trouxe uma notícia que abalou meu núcleo familiar.

“Mãe…”

“O que é, filho?”

“Eu…”

“Fala, Beto.”

“Eu vou prestar o vestibular pra LETRAS…”

Houve um silêncio terrível.

Dona Carminha, a senhora minha mãe, com uma calma que só o desespero traz, disse pausadamente: “Você é louco!?”. Continuar lendo

Independe da Criação

J é um rapaz de classe média-baixa. Família tradicional e conservadora. O pai é um trabalhador aguerrido e bronco. A mãe é uma autêntica dona de casa que cria os filhos entre mimos e esporros. J ainda possui uma irmã, totalizando quatro membros na família.

A mãe de J sempre criou o filho homem como um homem realmente deve ser criado. Isso implica que os afazeres domésticos sempre sobravam para a irmã ajudar.

Logo, isso fez com que a garota fosse a rebelde da família, sempre protestando contra as injustiças machistas de sua mãe.

Num determinado dia, ela acabara de lavar e secar a louça e foi estudar. Continuar lendo

O encontro com Isaac Soares de Souza – Autor de livros sobre Raul Seixas.

(Esquerda: Isaac Soares de Souza. Direita: Felipe Cruz) 	Foto por Mayra Araújo.

(Esquerda: Isaac Soares de Souza. Direita: Felipe Cruz) Foto por Mayra Araújo.

Esbanjando simplicidade e cultura, um excelente escritor me concede uma recepção afável e aduladora, seguida de um sorriso terno e amistoso, que convida qualquer um a também sorrir, logo após uma apresentação sem pesares, ecoa uma conversa cativante e apaixonada sobre um foco nitidamente em comum em minha existência e na do notável escritor: A vida e obra do Mago Baiano, Raul dos Santos Seixas.
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Comum a todos Ou Comunismo?

Ouso acreditar num mundo utópico. Onde a pessoas sejam socialmente iguais e humanamente diferentes e, portanto livres.

Em que elas possam realizar aquilo que gostem de fazer. E não aquilo que sejam obrigadas a fazer.

Um lugar em que as pessoas possam ser elas mesmas sem mentiras pra si. E, consequentemente, que isso seja benéfico tanto a elas quanto à sociedade.
Sem a ideia pré-estabelecida pelos economistas clássicos que se aproveitam do viés que define a natureza do Homem como perversa.
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A Mulher e a TPM

Certa feita, um rapaz conheceu uma moça e apaixonou-se perdidamente.
O começo de toda relação amorosa é sempre muito feliz. Os dois saíam em bares, teatros e gostavam muito de cinema.
Após alguns anos, casaram-se. Igreja, festa para 200 convidados…
Vieram logo os afazeres domésticos e tudo mais que o mundo adulto e desgastante de responsabilidades sociais e empregatícias impõe.
Aquele universo apaixonante e cheio de êxtase aos poucos se foi indo, e a maldita palavra “depois” foi aumentando as margens da relação. Continuar lendo

Cocrônicas I – A Merda do celular

História baseada em (fezes) fatos reais

A Merda do Celular!

A mulher não conhecia lugares fora do seu senso comum. Há muito foi privada de conhecer o néctar da vida. O homem, bem vivido, já havia experimentado quase todos os manjares.
– Oi, Tudo bem?
– Bem e você?
– Também! Tá ocupada?
– Só arrumando umas coisas, por quê? Entra por favor.
– Se prepara que vamos viajar! Espero aqui no sofá enquanto se veste.
– Como assim? De repente? Tá doido?
– Conhece a cidade de Itu? Porque é pra lá que vamos.
Enquanto ela se deslumbrava com as coisas mais simples que apareceriam pela estrada. Ele se regozijava com o sorriso puro da moça.
– Tá ouvindo isso?
– O quê?
– Tive a impressão de ouvir um celular. Mas o meu não tem esse toque.
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Certa noite em São Paulo

Certa noite em São Paulo

Na juventude, eu tinha aquela ilusão esperançosa de que o futuro traria as benesses que todo cidadão honesto procura em todas as áreas da vida. Aliás, acho que todo mundo pensa assim. Até que o futuro chegou e nada se resolveu…
Sou do futuro… do futuro mesmo… Tipo… meados do século XXI.
E não sou mais tão honesto assim.
Conto essa história para tentar abrir seus olhos, leitor.
Cheguei a essa importante conclusão no lugar mais propício para a reflexão filosófica: um ônibus lotado.
Pois é… o transporte público é o “carro do futuro”, ainda mais em uma metrópole como São Paulo.
Infelizmente chegamos a essa conclusão só no século XXI… Londres já faz isso desde o século XIX (Não que lá seja melhor, longe disso, mas a coisa foi mais bem planejada na terra da Rainha, que hoje já é outra, mas não faz diferença).
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Pra começo de conversa!

Leitores!

 Apresento-vos uma briga fora de moda no Brasil desde que as terras tupiniquins foram tomadas.

 Um professor de literatura disléxico debatendo os mais variados assuntos nas inúmeras conversas de bar com um professor de geografia analfabeto funcional perceberam que a moda está fora de moda. Logo surgiu a vontade de “culturizar” a qualquer preço.

   Então, vem conosco embarcar nessa PELEJA CULTURAL?

PALAVRÃO

Quando se conheceram, sabiam que a vida sexual seria agitada…

Tornaram-se o casal mais libertino do país, mas eram de boa índole. Com algum tempo de namoro, já se preocupavam com a monotonia e buscavam formas de motivar o relacionamento. Gostavam, por exemplo, de lugares públicos… A indiscrição era o melhor! E mesmo assim, uma hora se cansaram. Até que um dia, na cama…

“Tesão, tive uma ideia realmente FO-GO-SA!”

Ela já se levantou toda interessada – “O quê? O quê?”

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A Banda das velhas Virgens – E o encontro com Paulão

Observação: Ao consultar o Paulão e dizer que iria publicar um texto referente a exímia banda de ébrios ele prontamente respondeu:
Paulão – Não vou autorizar essa porra não!
Eu – Por que?
Paulão – Porque biografia não autorizada vende mais!”
Sem mais!

Uma coisa é você tirar uma foto com um músico que gosta, ou ter um autógrafo dele em CDs, DVDS ou qualquer outra coisa. E até mesmo adentrar em seu camarim e falar com ele por um espaço curto de tempo. Outra coisa é poder almoçar com o cidadão, trocar ideias sobre o serviço, política, futebol, música e qualquer assunto que puder, afinal, os almoços com o indivíduo podem ser feitos praticamente todos os dias. E melhor ainda, é convidá-lo a ir a seu setor, no meu caso em minha sala de aula, e ele dizer que vai, e de fato ir conhecer.
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