Brasileiros e Brasileiras! – cap.5

Brasileiros e Brasileiras!

Por Luís René de Melo

Capítulo 5

Um Plano

Às nove horas da noite, a fábrica funcionava a todo vapor e o rapaz entrou na área da ferramentaria procurando por alguém que não estava lá. Quando se virou, deu de cara com um negro alto e magro que olhou furtivamente para os dois lados e disse:

− E aí, Ricardo.

O rapaz tomou fôlego tentado disfarçar o susto e respondeu:

− E aí, Chico.

− Então, está tudo certo. Os caras vão chegar logo depois do almoço, junto com o dinheiro.

− Todos?

O outro hesitou um instante.

− O negão não vem…

− Por quê? O rapaz questionou discretamente embora a notícia o tenha deixado muito preocupado.

− É melhor nem saber… − a resposta deixou o rapaz furioso, então preferiu dizer algo – Ele estava devendo dinheiro e parece que não esperaram…

O rapaz ficou transtornado.

− Chico, liga agora para o outro lá! Não é hora para mudança de plano! Eu estou fora!

O negro arregalou os olhos e disse pausadamente.

− Não mudou nada… A situação do negão era outra…

− Mas ele era o único que tinha feito algo do gênero. Disse isso quase chorando, mas foi interrompido pelo negro.

− É a única oportunidade. Eu quero o dinheiro e não saio daqui sem ele. Aliás, se a gente pular fora, ele vai matar a gente… Você sabe disso… E tem minha família, Ricardo…

Ficaram em silêncio alguns instantes. O negro Francisco chegou mais perto e tentou dizer algo em tom amigável enquanto o rapaz parecia resignado.

− Ricardo, você sabe o que isso significa para mim. Me ajuda, cara!

O rapaz, convencido pelo medo, resolve aceitar o trabalho mesmo em condições duvidosas. Roubar a própria empresa em que se trabalha não é tarefa simples. De forma improvisada, então, parecia burrice, mas aceitou seu destino.

− Está certo! Já estamos no inferno, vamos abraçar o Diabo.

− É assim que se fala! – disse o outro satisfeito – E a roupa?

− No meu armário.

− Alguém te viu?

− Claro que não.

− Beleza, às três da tarde, já estou longe.

Os dois seguiram para seus postos de trabalho e fingiram que era um dia ruim como outro qualquer, no entanto não perceberam que eram observados por alguém que ouviu parcialmente a conversa.

Sr. Antônio tinha 30 anos de empresa e era famoso por denunciar colegas de trabalho que agiam em desacordo com as orientações da firma.

Leia o capítulo 6 – clique aqui

Leia o capítulo 4 – clique aqui

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